Terça-feira, 19 de Agosto de 2008

BONSAI - A arte de criar árvores em miniatura

Nascida nos monastérios budistas na China, essa milenar arte foi levada pelos monges ao Japão, e neste país obteve grande desenvolvimento, atingindo seu auge artístico e técnico entre os séculos X e XII. De acordo com o arquiteto e paisagista Pedro Paulo Miwa Neves, de Mogi das Cruzes (SP), o bonsai chegou ao Brasil junto com os imigrantes japoneses, em 1908, que trouxeram consigo as primeiras sementes de árvores e arbustos asiáticos tipicamente cultivados como bonsai. “Atualmente o cultivo do bonsai é praticado internacionalmente, e diferentes países contribuíram com essa arte introduzindo novas espécies de árvores e arbustos e desenvolvendo técnicas e novos materiais”, conta Neves.
O bonsai - ao contrário do que muitas pessoas pensam - não é uma mutação, é uma árvore geneticamente igual à outra da mesma espécie que cresce no solo. A diferença está no manejo. “A árvore que está no vaso recebe podas regulares nos ramos e nas raízes, o que reduz seu ritmo de crescimento e faz com que adquira aspecto austero e maduro”, explica o paisagista, que se dedica há 20 anos à arte.
A formação de um bonsai pode ser obtida basicamente de duas maneiras: Yamadori ou educação.
Com o método Yamadori coleta-se uma muda de árvore diretamente da natureza para adaptá-la ao cultivo em vaso. Nesse caso deve ser uma muda que apresente características de bonsai: tamanho pequeno, tronco robusto, galhos bem distribuídos e bela folhagem.
Pela educação, aplica-se uma série de podas e técnicas de modificação de forma e de cultivo em uma muda de árvore comum. Ao longo de alguns anos de paciência e dedicação, obtém-se um bonsai. Por razões ambientais, o Yamadori quase não é mais praticado, por isso o método de educação é o mais usado atualmente.
Integração com a natureza

Para Neves, qualquer pessoa pode aprender a cultivar um bonsai. “Contudo” – ressalta – “esse hobby é mais indicado para quem já tem alguma experiência com jardinagem e conhece um pouco sobre plantas.” O paisagista lista algumas das características ideais para quem quer adotar o bonsai como hobby:
• gostar de atividades ao ar livre, uma vez que bonsais de ambientes internos são raros;
• sentir-se bem interagindo com elementos naturais, terra, adubos, água;
• ser organizado e respeitar o calendário de trabalhos e cuidados que cada bonsai irá exigir ao longo dos dias e anos em que estarão convivendo com você;
• ter paciência - um bonsai pode levar até cinco anos para atingir status de maturidade e a beleza característica dessas mini-árvores;
• ser humilde para entender que, às vezes, uma árvore pode não adquirir as características que você deseja para ela; quase sempre é melhor sentir as indicações da natureza da planta, ela lhe dirá se prefere crescer reta ou sinuosa;
• ter resignação e aceitar com respeito quando uma árvore começa a morrer e encerrar seu ciclo de vida - nem os bonsais são para sempre.
Como toda arte, segundo Neves, o bonsai acaba sendo mais uma mostra do que o artista e a planta têm a oferecer. “O convívio com a natureza única desses seres, e o acompanhamento de seus modos diversos de crescer e moldar-se conforme as condições naturais ou impostas, nos serve apenas para refletir sobre a perfeição do mundo natural e que fazemos parte dele”, finaliza o paisagista.

Fonte: Libbs

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